23 de mar de 2014

Olá! Agradeço ao Pedro e à Maria Cordeiro pelas mensagens carinhosas! Vamos torcer para que o Ministério da Cultura aprove nosso projeto de transformar o livro em um documentário, para levar mais longe esta mensagem de lutar pelos sonhos sempre, sempre honestamente, apesar e a despeito das vicissitudes da vida, com, sem ou apesar de tudo e todos - porque os sonhos não envelhecem! Um grande abraço! Dra. Elaine Pérola Negra.

24 de jan de 2014

Novo site da Dra. Elaine!!!

O site mudou! Agora é www.draelaine.com e, por isto, o meu novo e-mail é doutoraelaine@draelaine.com - em breve ótimas novidades serão divulgadas! Um abraço! Dra. Elaine Pérola Negra.

16 de dez de 2013

Quem é Elaine Pérola Negra? [Biografia]

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Meu nome é Elaine Pereira da Silva, nasci em 1963, na cidade de São Paulo, sou negra. Minha mãe, falecida em 1989, era empregada doméstica. Meu pai, pedreiro, faleceu em 2005. Desde os dez anos, a despeito da pobreza vigente, sonhava ser médica. Minha mãe sempre me incentivava a estudar.
Trabalhei desde catorze anos e, ao terminar o 2º grau, percebi que os sonhos não são passaporte para entrar na escola de medicina. Tentei me conformar, cursando Biologia e formei-me em 1985. O desejo de ser médica, porém, continuou. Uma das frases que norteia minha vida é este fragmento da música “Clube da Esquina nº 2”, de Lô Borges: “Porque se chamavam homens, também se chamavam sonhos e sonhos não envelhecem”.

Após terminar o curso de biologia, fui lecionar à noite e fazer cursinho pré-vestibular pela manhã. Fiz seis meses, em 1986, e não entrei na medicina. No ano seguinte, fiz um ano inteiro e, ao final, fui aprovada em duas faculdades particulares: Puc – SP e Puccamp. Para me matricular, somente na primeira, precisei vender um carro antigo, que comprara com o salário de professora. O dinheiro acabou e, doze dias depois, fui obrigada a trancar a matrícula e voltar para o cursinho. Após novo ano inteiro de cursinho, fui aprovada na Santa Casa, na Unesp e na Unicamp, onde eu tanto sonhava.

A partir daí, parei de lecionar e comecei a realizar meu sonho: cursar medicina. Era, então, o ano da graça de 1989. Morando gratuitamente na Moradia dos Estudantes da Unicamp, e com uma pequena bolsa do SAE (Serviço de Apoio ao Estudante), fui estudando com afinco. Estava no 5º ano do curso em 1993 quando, por uma negligência de um professor meu que não fez meu diagnóstico a tempo, fui internada na UTI da Unicamp.

Lá fiquei quatro dias em coma, entubada, respirando através de aparelhos, quase morta. Outra frase muito séria em minha vida: “erro de médico, a terra cobre”. Mas não seria ainda neste momento, nem em outras duas vezes dentro destes anos em que eu veria muito de perto a cara da morte, que a terra me cobriria. Por quê? Quando estava no cursinho, prometera a Deus que, se conseguisse chegar a ser médica, atenderia a pessoas como eu, desprovidas de dinheiro. Creio piamente que foi esta promessa que me garantiu a vida, anos mais tarde.

Meu diagnóstico é Neurocisticercose, a doença da larva da Taenia Solium na cabeça. Ao longo destes anos trago no currículo desta doença: dois comas, uma lesão cerebral que me causaria infantilidade mental (excesso de alegria), perda da memória recente por três anos, sonolência excessiva que, felizmente, foram praticamente revertidos após meses de luta. Também conto: três neurocirurgias, cadeira de rodas, muletas, dezoito internações, inúmeros atendimentos no Pronto Socorro, três anos de faculdade perdidos e discriminações em todos os níveis possíveis, imagináveis e também inimagináveis. Entretanto, costumo dizer que “Deus é pai, não é padrasto e não é racista”. Ele queria que, após tudo isso, eu terminasse um livro contando 300% de vitória sobre uma lesão cerebral e suas implicações na sociedade racista, classista e machista.

Quais são os saldos desta luta?

01 – Desde 1997 tenho meu diploma de médica, conquistado com sangue, suor e lágrimas em uma das mais conceituadas universidades deste país – a Unicamp.

02 – Tenho meu registro no CRM (Conselho Regional de Medicina).

03 –
 Tenho minha sanidade mental atestada em laudo médico pelo então Chefe da Neuroclínica da Unicamp – o mesmo professor que me viu com descontrole emocional, em 1993.

04 –
 Desde que me formei, cumpro minha promessa: faço trabalho médico voluntário na comunidade de Vila Brandina, em Campinas – SP.

05 –
 Trabalhei como Clínica Geral, efetiva, na Prefeitura do Município de Campinas por cinco anos. Aprovada no exame médico, sem esconder minha doença. Para este cargo, concorreram 160 médicos. Apenas 65 foram aprovados. Eu sou o 30º lugar.

06 –
 Em 1998 fiz minha sexta ressonância magnética do cérebro e, finalmente, constou que meu cisticerco está morrendo e este meu problema de saúde está em vias de resolução.

07 –
 Trazia, por anos, muita mágoa em meu peito, em função das milhões de agressões sofridas na sociedade por ser negra, pobre, doente e querer ser médica. Quando venci tecnicamente a maior luta da minha vida, exteriormente, Deus veio e levou grande parte da mágoa embora, para que a vitória fosse, também, no principal lugar – no interior da pessoa. Isto era essencial, pois o que me colocou de pé novamente não foi o desamor dos 500, foi o AMOR da meia dúzia, principalmente dos maiores amigos da minha vida: Dr. Fabrício, aluno da minha primeira turma, que não me deixou, como a maioria das pessoas, no pior período da minha vida e o Professor Dr. Jamiro, que é um pai para mim, e atende a mesma favela que eu, há mais de 30 anos.

08 –
 E, para terminar com chave de ouro, a maioria dos meus pacientes – tanto da favela quanto do posto de saúde – gostavam muito do meu atendimento, e verbalizavam isto, para me deixar mais feliz.

Este conto de fadas verídico está publicado no meu livro autobiográfico intitulado Pérola Negra – História de um caminho.

A orelha do livro foi redigida pelo escritor Rubem Alves.

 O livro termina aqui. Vamos agora, resumidamente, atualizar esta história. Eu trabalhei na rede pública de saúde do país por sete anos e fui discriminada durante todo este tempo, em função da minha história de vida e do meu modo de atuar, lento e criterioso, buscando evitar erros.

Fui médica efetiva da Prefeitura de Campinas por cinco anos. Sofri e venci dois processos de demissão injustos e até criminosos. Exausta, fui embora de Campinas. Trabalhei no estado de Mato Grosso do Sul por três meses e, depois, consegui outro emprego no sul do Estado de São Paulo, em Taquarituba, onde ganhava muito bem. Entretanto, continuei negra e honesta, o que complica a vida de um médico no serviço público de saúde deste país.

Fiquei lá por onze meses, quando perdi o emprego por uma monstruosidade, em março de 2005.

Cansada de guerra, voltei para Campinas, para a proximidade de meus amigos. Fiquei afastada pelo INSS por 2,5 anos. Voltei a dedicar-me ao trabalho médico voluntário na comunidade de V. Brandina. Lancei o livro em abril de 2006 e, desde então, tenho proferido palestras de motivação para o público em geral. Esta história foi divulgada na mídia falada, escrita e televisiva - regional, nacional e internacional. Em janeiro/08 fui admitida como médica de família, na rede pública de saúde de Monte Mor - SP, onde já palestrara. Trabalhei lá por quase três meses, e perdi o emprego por não suportar o peso de atender com qualidade técnica o grande volume de pacientes. Pedi mais um médico pra me ajudar, e fui dispensada, semanas depois...

Fui convidada pelo PMDB pra ser candidata a vereadora, em Campinas, mas não tinha tempo nem dinheiro pra fazer campanha - o resultado foi um fiasco... Fiquei na medicina privada de 2008 até 2010 quando, por piora da saúde (problemas psicossomáticos sequelas desta história), precisei parar de trabalhar.

Em 2013, abraçou nosso projeto um importante cineasta, de renome internacional. O cineasta congo- francês Balufu Bakupa-Kanyinda, com incursões profissionais na Europa, África e América do Norte gostou muito do nosso projeto, e vai dirigir o documentário “Pérola Negra”, cujo roteiro foi feito pela jornalista Carla Lopes. 

Continuo disponível para palestrar onde for possível. Atualmente, estou concluindo a pós-graduação em Perícia Médica. Fui aprovada num concurso para ser médica Clínica Geral na cidade de Paulínia – SP e assumi este cargo em janeiro de 2014, o que está me fazendo muito feliz!

Who is Elaine?

"BLACK PEARL - LIFE HISTORY OF A SUCCESSFUL BLACK WOMAN MEDICAL DOCTOR"
ELAINE PEREIRA DA SILVA
version ARIOVALDO M. SANTOS

My name is Elaine Pereira da Silva. I was born in 1963 in São Paulo city and I am a black woman. My mother, who passed away in 1989, was a maid; my father, a bricklayer, and he died in 2005. As of the age of 10, despite my poor financial conditions, I had a dream to become a medical doctor. My mother had always encouraged me to study.
I have worked since I was 14 and when I concluded my high school degree, I then realized that my dreams were not a “direct passport” to be admitted to medical school. I did try to accept the idea by studying Biology and I got my bachelor’s degree in 1985. However, my desire to become a doctor was stronger and persisted. One of the sentences that guides my life is this fragment of a Brazilian song by Lô Borges called “Clube da Esquina nº 2”: “Because they were called men, they were also called dreams, and dreams never get old”.
When I concluded my Biology course, I started teaching at night and, during the day, attended a university preparation course[1].  It was the year of 1986 and such course lasted six months. I was not admitted to medical school! In the following year, I extended the duration of the course for a whole year and finally I was approved in two private universities: PUC – SP and PUCCAMP. In order to get enrolled in the first university, I had to sell an old car I had acquired with my salary as a teacher. I ran out of money and twelve days later I reluctantly had to suspend my registration in the university and come back to the “cursinho”. After a whole year of this preparation course, I was approved at Santa Casa, UNESP and UNICAMP, being the latter the university of my dreams.
From this moment on, I stopped teaching and started making my dream come true: to study medicine. It was the year of grace of 1989. I was living in the students’ dorm for free at UNICAMP and as I had won a small scholarship from an agency that supports students called SAE (“Serviço de Apoio ao Estudante”, Students’ Support Service), of course I was striving to do my best in my studies. In 1993, when I was in my 5th grade year, I was admitted in the ICU of UNICAMP on account of a negligence of a professor of mine who did not provide my diagnosis on time.
As a result, I stayed 4 days in the ICU in coma, intubated, breathing with the help of a machine, near death. Another important saying in my life is: “if error comes from doctors, the grave will bury their mistakes”. But it would not be in this moment – as it was neither in other two occasions in these years where I faced death so closely – that land would dig me in! Why? Because I had made a promise to God when I was studying in the preparation course that I would help people, just like me, with no money, in case I ended up becoming a doctor. I firmly believe that it was this promise that saved my life years later.
My diagnosis is neurocysticercosis (NCC), a parasitic disease of the central nervous system (CNS) caused by an accidental ingestion of Taenia solium (ie, pork tapeworm). Throughout these last years I suffered as a result from this illness the following events: two comae, a brain lesion which would cause me a mental infantilism (excessive joy), lack of recent memory for 3 years, excessive somnolence (daytime sleepiness), and fortunately all of such health disorders were reverted after months of real fight. It is worth commenting that I faced during this period of time three brain surgeries, wheelchairs, crutches, eighteen admissions to hospitals, uncountable visits to emergency rooms, three years missed at the Medical School, and I also suffered prejudice and discrimination in all possible levels: in all imaginable and unimaginable ways! However, I always cite a Brazilian old saying: “God is father, not stepfather, and He is not racist!”. He wanted me, after this turmoil in my life, to conclude a book telling 300% of victory on a brain lesion and the implications in the society, which is racist and sexist, classist and ageist.
What are the outcomes of such fight?
1.    Since 1997, I hold a Medical School diploma, which was obtained with blood, sweat and tears in one of the most important Universities in this country: UNICAMP;

2.    I am registered in the CREMESP (Regional Medical Council, in my country) under CRM-91194 (Regional Medical Board #);

3.    There is a clinical examination report which attests my good mental health (sanity). It was issued by the then Head of Neurology Clinic at UNICAMP – the very same professor who witnessed my emotional disarray in 1993;

4.    I have always kept my promise since I graduated: I do volunteer medical work in the poor community of Vila Brandina in Campinas city, São Paulo state;

5.    I have worked for 5 years as a General Practitioner, as an in-house staff physician, at the City Hall of Campinas. I was approved in the pre-employment health exam without hiding my disease. There were 160 applicants for this position and only 65 of them were approved. I was one of them, being classified as number 30;

6.    In 1998, I was submitted to my sixth MRI (Magnetic Resonance imaging) of the head and finally it was shown that my cysticercus was dying. That being said, this health problem of mine is about to come to an end;

7.    For a very long time, I carried sorrow in my heart on account of the many aggressions I suffered in our society for being black, poor, ill, and because I had a strong desire to become a medical doctor. When I technically won – on the exterior side - the most important fight of my life, God came in and took away a good portion of such sorrow because He wanted my victory to be in the most important place: my inner feelings. This was essential once what stood me up was not the indifference of 500 people but the LOVE of half a dozen, chiefly the best friends of my life: Dr. Fabrício, student from my first class, who did not leave me as the great majority of people who left me in the worst moment of my life, and Professor Dr. Jamiro, who is a father to me and has assisted poor people for over 30 years in the same shantytown[2] I also have helped these poor families;

8.    And to top off the story, the majority of my patients – both the ones from “favela” and the Community Health Clinics – really appreciated my assistance and did verbalize it to make me feel happier.
This fairy tale is published on my autobiographical book entitled “Black Pearl – Life History of a Successful Black Medical Doctor”.
The book flap was written by the Brazilian writer Rubem Alves.




The book ends here. Let’s go now update this story.
I have worked in the Brazilian Public Health System for seven years and I was discriminated during all this time because of my history of life as well as my way to act, slowly and judiciously, in order to avoid mistakes.
I worked as a medical doctor, being a staff member in the Town Hall of Campinas for five years. I was sued and won two dismissal labor lawsuits, which were unfair and even criminal! Exhausted, I decided to leave Campinas. I worked for three months in Mato Grosso do Sul state and then I found another job in Taquarituba, a town in the south of the São Paulo state, where the salary was very good. However, I was still the very same person, ie, black and honest, which imply a lot of bad consequences in a doctor’s life who works for the Public Health System in my country. I stayed there for eleven months, being fired on account of a real monstrosity in March 2005.
Weary of struggle, I came back to Campinas to be closer to my friends. I was on a sick leave from INSS (National Social Security Institute) for 2 ½ years. I resumed doing my volunteer medical work in the community of Vila Brandina. My book was launched in April 2006 and since then I have delivered motivational lectures to general public. This story has been broadcasted in both spoken and written means of communication, including TV, at national, regional and international levels. In January 2008 I was admitted as medical doctor in the Public Health System in the city of Monte Mor, São Paulo state, where once I had delivered a lecture. I worked there for almost three months and then I lost my job for not being able to assist all of my large volume of patients with the minimum technical quality requirements they deserved. I had suggested hiring one more doctor to help me out and I was fired some weeks later…
I was invited by a political party (PMDB) to be a candidate for Campinas town councilor and I had neither money nor time to spend with the campaign - the result was a fiasco…
From 2008 to 2010, I worked in the private practice as an examining doctor for the Occupational Medicine when I had to stop working due to worsening of my health status (Psychosomatic sequelae of this story).
I am available for lectures wherever it is possible and I have a dream to make a documentary and feature film from this story! I also have plans to provide another edition of the book, which was published by an independent production company (I have the book in CD form). I am currently attending a postgraduate course in Medical Expertise.
My website is www.draelaine.com and you can see via broadband my TV interview with Jô Soares (Globo TV[3]) in 2006, with a reprise in 2007, and another one for EPTV[4] in 2009. My email is doutoraelaine@draelaine.com and my phone numbers are: +55 19 9-9718-5095 (Vivo), +55 19 9-8361-2618 (TIM) and +55 19 3225-9569 (home).[5]
A new member has recently joined our project. The Congolese-French filmmaker Balufu Bakupa-Kanyinda, internationally renowned, with professional experience in Europe, Africa and United States (see Google for more details) did appreciate our project and embraced the cause. He will be the filmmaker producer of “Back Pearl”. As soon as we have the sponsorship, we will hire the film crew.
Thank you very much for your attention.
Yours faithfully, 
Dra. Elaine Pérola Negra[6]
Elaine P. Silva




[1] Translator’s Note: In Brazil, such courses are called “cursinhos” whose objective is to prepare students for Brazilian top universities’ very competitive entrance tests.
[2] Translator’s Note: The proper term in Portuguese is “favela”. According to the Merriam Webster’s Collegiate Dictionary definition, it is “a settlement of jerry-built shacks lying on the outskirts of a Brazilian city”. The Concise Encyclopedia explains with more details:  “In Brazil, a slum or shantytown. A favela comes into being when squatters occupy vacant land at the edge of a city and construct shanties of salvaged or stolen materials. Communities form over time, often developing an array of social and religious organizations and forming associations to obtain such services as running water and electricity. Sometimes the residents (favelados) manage to gain title to the land and then are able to improve their homes. Because of crowding, unsanitary conditions, poor nutrition, and pollution, disease is rampant in the poorer favelas, and infant mortality rates are high”.
Translator’s Notes:

[3] “Globo TV” (TV Globo, in Portuguese) or simply Globo is a Brazilian television network, one of the greatest television networks in the world. Jô Soares hosts a talk show (similar to David Letterman’s) at Globo and he is also a comedian, author, theatrical producer, director, actor, painter and musician.

[4] EPTV is an affiliate network of Globo in the region of Campinas city, where Elaine lives.

[5] The names “Vivo” and “TIM” found just after the telephone numbers are trademarks and refer to some of the telephone operating carries in Brazil.

[6] “Pérola Negra” is the Portuguese version for Black Pearl.

Qui est Elaine Perle Noir?

"PERLE NOIR - HISTOIRE DE VIE D'UN MÉDECIN RÉUSSI FEMME DE COULEUR"
ELAINE PEREIRA DA SILVA
version par ADRIANA MARIA SILVA SANTOS

Mon nom est Elaine Pereira da Silva, je sus né à 1963, dans la ville de São Paulo, je suis noire. Ma mère, qui est décédée em 1989, etait servité. Mon père, maçon, décédé em 2005. Depuis une dizaine d'années, malgré la pauvreté généralisée, rêvait de devenir médecin. Ma mère m'a toujours encouragée à étudie.

A travaillé à partir de quatorze ans et, lorsque vous avez terminé la 2 degré, j'ai réalisé que les rêves ne sont pas un passeport pour entrer dans l'école de médecine
J'ai essayé de me dire, en étudiant la biologie et j'ai obtenu mon diplôme en 1985. Le désir d'être un médecin, cependant, a continue. Une des phrases qui guident ma vie (et il est sur ​​la couverture de mon livre) est ce fragment de la chanson "Club de le Coin n ° 2" par Milton Nascimento, Lô Borges et Márcio Borges: «Pourquoi at-on appelé les hommes, aussi appelé rêves et rêves ne vieillissent pas".
Après des études de biologie, j'enseigne la nuit et faire pré-universitaire école préparatoire dans la matinée. J'ai fait six mois en 1986 et je n'ai pas la médecine. L'année suivante, j'ai fait une année et à la fin, j'ai passé deux collèges privés: PUC - SP et Puccamp.

Pour moi inscrire, seul le premier, j'ai dû vendre une vieille voiture, qu'il avait achetée avec le salaire d'un enseignant. L'argent est allé et les douze jours plus tard, j'ai été obligé de verrouiller le fichier et retourner à l'école cram. Après neuf ans de classe préparatoire, a été approuvé lors de la Santa Casa à UNESP et UNICAMP, où j'ai tant rêvé.

De là, j'ai cessé d'enseigner et j'ai commencé à réaliser mon rêve: étudier la médecine. Ce fut alors l'an de grâce 1989. Vivre libre sur le Logement étudiant à Unicamp, et un petit sac de SAE (Service d'aide aux étudiants), j'ai étudié dur. J’ était en 5ème année du cours en 1993, lorsque, pour une négligence d'un de mes professeurs qui n'ont pas le temps de mon diagnostic, j'ai été admis aux l’ unité de soins intensifs de l'Unicamp.

Il y avait quatre jours dans le coma, intubé, respire à travers l'appareil, presque mort. Une autre expression très sérieuse dans ma vie », erreur médicale, le terrain s'étend." Mais il serait même à cette époque, ou dans d'autres deux fois au cours de ces années, je voyais de très près le visage de la mort, la terre me couvrir. Pourquoi? Quand j'étais à l'école préparatoire, avait promis à Dieu que s'il pouvait arriver à être un médecin, d'assister à des gens comme moi dépourvus d'argent. Je crois fermement que cette promesse était que la vie m'a assuré, des années plus tard.

Mon diagnostic est neurocysticercose, une maladie des larves de Taenia Solium tête. Tout au long de ces années, j'ai introduire dans le curriculum de cette maladie: deux comas, des lésions cérébrales qui me ferait enfantillage mentale (excès de joie), la perte de mémoire récent pendant trois ans, une somnolence excessive qui, heureusement, ont été presque inversée après des mois de combats. Aussi conte: trois opérations au cerveau, des fauteuils roulants, des béquilles, hôpital dix-huit ans, de nombreuses présences à la salle d'urgence, trois années de collège perdu et la discrimination à tous les niveaux possibles, imaginables et inimaginables trop. Cependant, je dis que «Dieu est père, beau-père et n'est pas raciste." Il voulait, après tout cela, j'ai fini un livre racontant 300% de victoire au cours d'une lésion cérébrale et ses implications sur la société raciste, classiste et sexist.

Quelles sont les soldes de ce combat?

01 - Depuis 1997, j'ai mon diplôme de médecine, a gagné avec du sang, de la sueur et des larmes dans l'une des universités les plus prestigieuses dans ce pays - Unicamp.

02 - J'ai mon registre dans le CRM (Conseil Régional de Médecine), sous le numéro 91194-CRM SP.
                                                                             
03-J'ai ma santé mentale attestée dans le rapport médical par le chef puis de Neurochirurgie Clinique de la Unicamp - le même professeur qui m'a vu avec incontrôléi émotionnel en 1993.

04 - Depuis j'ai obtenu mon diplôme, je remplis ma promesse: je fais le travail médical bénévole dans la communauté de Vila Brandina à Campinas – SP.

05-Je a travaillé comme médecin généraliste, efficace, dans la municipalité de Campinas depuis cinq ans. Approuvé l'examen médical, sans cacher ma maladie. Pour ce poste, a couru 160 médecins. Seulement 65 ont été approuvées. Je suis la 30ème place.

06 - En 1998, j'ai fait ma sixième IRM du cerveau et finalement consisté mon cysticercus se meurt et que mon problème de santé est en cours de résolution.

07 - Il avait, pendant des années, beaucoup de douleur dans ma poitrine, parce que des millions d'actes d'agression dans la société d'être noir, pauvre, malade et que vous voulez être médecin. Quand techniquement remporté le plus grand combat de ma vie, à l'extérieur, Dieu est venu et a pris beaucoup de mal loin, de sorte que la victoire était aussi le principal lieu - à l'intérieur de la personne. Cela était indispensable, car ils m'ont mis de nouveau n'était pas la désaffection de 500, était L'AMOUR d'une demi-douzaine, principalement des grands amis de ma vie: le Dr Fabrizio, un étudiant de ma première classe, qui n'a pas laissé de moi comme la plupart des gens, la pire période de ma vie et le Professeur Dr. Jamiro, qui est un père pour moi, et répond aux mêmes taudis que j'ai, depuis plus de 30 ans.

08 - Et pour finir en beauté, la plupart de mes patients - à la fois du bidonville que le poste de santé - très friands de mon service, et verbalisé ce pour me rendre plus heureux
Ce conte de fées est vrai posté sur mon livre autobiographique intitulé " Perle Noir - Histoire d'un chemin
Ce conte de fées est publié sur mon livre autobiographique intitulé "Black Pearl - Histoire de vie d'un Noir Médecin réussie”.  La sape du livre a été ecrit pour le écrivain Rubem Alves.




Le livre termine ici. Et maitenant nous allons, sommairemen, renseigner sur cette histoire.
Je travaillai dans la  reseau santé publique du pays pour sept ans et j’ai eté victime de discrimination,  en fonction de l'histoire de ma vie et ma façon d’agir, lent et minutieux, en cherchant éviter fautes.

J'ai travaillé en tant que médecin, en tant que membre du personnel de la mairie de Campinas depuis cinq ans. J'ai été poursuivi en justice et gagné deux procès de travail de licenciement, qui étaient injustes et même criminelle! Épuisée, j'ai décidé de quitter Campinas. J'ai travaillé pendant trois mois dans MATO GROSSO DO SUL et puis j'ai trouvé un autre emploi dans Taquarituba, une ville dans le sud de l'État de São Paulo, où le salaire était très bon. Cependant, j'étais toujours la même personne, à savoir noir et honnête, ce qui implique un grand nombre de mauvaises conséquences dans la vie d'un médecin qui travaille pour le système de santé publique dans mon pays. Je suis resté là pendant onze mois, être licencié à cause d'une véritable monstruosité à Mars 2005.
Fatigué de la lutte, je suis revenue à Campinas pour se rapprocher de mes amis. J'étais en congé de maladie de l'INSS (Institut National de Sécurité Sociale) pour 2 ans et demi. J'ai repris mon travail de bénévole médical faisant dans la communauté de Vila Brandina. Mon livre a été lancé en Avril 2006 et depuis lors, j'ai donné des conférences de motivation au grand public. Cette histoire a été broadcastedin deux moyens parlées et écrites de communication, notamment la télévision, aux niveaux national, régional et international. En Janvier 2008, j'ai été admis le médecin dans le système de santé publique dans la ville de Monte Mor, État de São Paulo, où une fois que j'avais prononcé la conférence. J'y ai travaillé pendant près de trois mois, puis j'ai perdu mon emploi pour ne pas être en mesure d'aider l'ensemble de mon grand volume de qualité technique pacientes aux exigences minimales qu'ils méritaient. J'avais suggéré l'embauche d'un plus médecin pour m'aider et j'ai été congédié quelques semaines plus tard.
J'ai été invité à être le candidat PMDB pour conseiller à Campinas, mais n'a pas eu le temps ou l'argent pour faire campagne - le résultat a été une échec...

Je travaillais dans le secteur de la médecine privée, comme expertise médicale on travaux, à partir de 2008 jusqu'en 2010 lorsque, en raison de l'aggravation de la santé (séquelles psychosomatique de cette histoire), j'ai dû arrêter de travailler
Je reste à disposition pour à donner des conférences autant que possible, et rêve de faire de cette histoire un documentaire et un long métrage de cinéma! Je fais aussi nouvelle édition de l'ouvrage, qui a lancé comme une production indépendante, et m'a obtenu son fichier sur CD. Je suis étudiante de post graduate en expertise médicale.

Mon site est www.draelaine.com et,  en haut debit, on peut voir mon entrevue avec Jô Soares en 2006, rejoué en 2007 et une autre faite avec EPTV (TV Globo régional) en 2009. Email : doutoraelaine@draelaine.com et mes mes téléphones sont:+55 - 19 – 9 9718-5095 (Vivo), +55 - 19 – 9 8361-2618 (Tim) et +55 - 19 – 3225-9569 (résidence).
Récemment, notre projet a reçu un nouveau membre. Le cinéaste Congo-Français Balufu Bakupa-Kanyinda, de renommée internationale, avec des incursions professionnels en Europe, en Afrique et aux États-Unis (voir Google) a vraiment aimé notre projet – il será le producteur réalisateur du film "Perle Noir". Lorsque nous avons des commandites, va embaucher une equipe pour ler tournage.

Je vous remercie de l'attention

Gracieusement, 
Dra. Elaine Pérola Negra[1]
Elaine P. Silva



[1] “Pérola Negra” c’est la version on portugais de Perle Noir.
3 3-"Globo TV" (TV Globo, en portugais) ou tout simplement Globo est un réseau de télévision brésilien, l'un des plus grands réseaux de télévision dans le monde. Jô Soares accueille un talk-show (semblable à David Letterman) au Globo et il est aussi un comédien, auteur, metteur en scène, réalisateur, acteur, peintre et musicien.
4-EPTV est un réseau d'affiliés de Globo dans la région de la ville de Campinas.

25 de abr de 2013

Entrevista - Belezas de Kianda


Entrevista concedida em 2011 ao blog Belezas de Kianda”, que trabalha com a autoestima da mulher negra.


Leia na íntegra clicando aqui:


Alguns trechos:

Belezas de Kianda: Como foi a sua infância?

Dra. Elaine: Foi feliz, embora eu tenha vivido em meio à pobreza. Minha mãe, D. Ana (empregada doméstica), era uma mulher muito especial, por isto meu livro é dedicado à ela. Ela fazia de tudo, no seu tempo livre, para nos trazer alegrias, ensinava brincadeiras de quintal, contava histórias, “causos”, enfim, nos divertíamos bastante com o pouco que tínhamos. Tenho muita saudade desta época.

BK: Como surgiu sua vontade de ser médica?

Não sei exatamente, mas me lembro que, aos dez anos de idade, eu falei pro Dr. Luis, meu pediatra num convênio médico chamado Comepa, da firma onde meu pai trabalhava como pedreiro, a Filex. Ele sabia que eu era negra e muito pobre, mas ele me disse: “Você vai ser!”. Porque ele percebia que eu era bem inteligente, e que, talvez, conseguisse conquistar este sonho, mesmo sendo tão pobre.O que não imaginávamos é que eu adoeceria gravemente, quando estivesse quase conquistando este sonho, o qual seria adiado por mais três anos.


BK: Na escola de medicina, certamente não haviam muitas mulheres negras e com a mesma origem social que você. Como você se sentia no meio dos outros alunos?


Não é que não havia muitas… (risos) não havia mais nenhuma além de mim! (risos) Em minha turma havia uma outra moça negra, mas ela veio de classe média – era outra história… Negra e pobre – havia apenas eu. Antes de adoecer eu tinha, desde a adolescência, um complexo de inferioridade muito grande. A sociedade me tratou como inferior, porque eu era negra e pobre, e eu acreditei que, de fato, era inferior… E também me sentia muito feia, o que fez de mim uma pessoa extremamente tímida, retraída, sempre me sentindo o “patinho feio”. Isto é péssimo. Falei a Jô Soares que só perdi este complexo de inferioridade mediante uma lesão cerebral aos 30 anos, no quinto ano de Medicina Unicamp. É muito triste saber que eu precisei enfrentar a morte pra descobrir que eu tinha valor. Falei pro Jô que o pior do racismo não é o negro ser tratado como inferior – o pior é ele sentir-se como tal. Lembro-me de que ele concordou. Minha entrevista com ele pode ser vista em meu site, em banda larga: www.doutoraelaine.com.

4 de set de 2008

Novo site


Visitem o meu site:

http://www.draelaine.com/

Contatos por email:

elaine@draelaine.com
doutoraelaine@draelaine.com



Visitem o site da autora de "Pérola Negra - História de um Caminho"

Agora, temos um novo e maior espaço na rede mundial de computadores. Já está no ar o site oficial da Dra. Elaine Pereira da Silva! Visitem: http://www.draelaine.com e, querendo, comentem as fotos dos eventos. Podem tb assistir ao vídeo com a entrevista da autora no Programa do Jô. Agora já carregado de modo a se poder assistir de uma só vez (em banda larga). Para quem não viu, ou para quem quer rever as coisas seriíssimas e outras engraçadíssimas q foram ditas neste dia. Pelo site, tb é possível comprar o livro, ou conversar diretamente com a autora do livro. Visitem e divulguem!

19 de mar de 2007

ZENTREVISTA - Dra. Elaine no Jornal Zen

“Preta, pobre e petulante”. A autodefinição é sugestiva das dificuldades enfrentadas por Elaine Pereira da Silva para conseguir o tão sonhado diploma de Medicina. E que dificuldades! Criada na periferia de São Paulo, filha de pedreiro e empregada doméstica, alcançou seu objetivo mesmo contra todos os prognósticos. Uma vitória pessoal de Elaine, que desde cedo tinha o desejo de ser médica, para ajudar as pessoas a se livrar da dor. Mal sabia ela que teria de senti-la na carne e na alma. Então sem condições de pagar uma universidade particular ou um cursinho, decidiu fazer um curso mais barato – Biologia. Conseguiu se formar, apesar de dormir na maior parte das aulas – um dos sintomas da neurocisticercose, doença causada por larvas presentes na carne de porco. Prestou concurso do Estado e tornou-se professora. Com o salário maior, decidiu resgatar o sonho de se tornar médica. Com muita dificuldade, fez dois anos e meio de cursinho e prestou o vestibular. Passou na Unesp, Santa Casa e Unicamp. Optou pela última, onde morava de graça e recebia uma bolsa. Negra, pobre e introvertida, Elaine teve a situação agravada em 1993, quando estava no 5º ano de Medicina. Nessa época, foi internada pela primeira vez e ficou quatro dias em coma. Só então teve seu problema definitivamente diagnosticado. Ela conta que “enlouqueceu”, acabou em cadeira de rodas, passou por três cirurgias e quase morreu. Ao todo, foi internada 18 vezes. Ao fim de nove anos, finalmente conseguiu o tão sonhado diploma e superar a doença. Aos 44 anos, depois de trabalhar na rede pública de saúde, Elaine convive com seqüelas, como fortes dores. Mas nada que impeça de assistir, de forma voluntária, crianças e adultos de uma favela de Campinas – promessa feita a Deus nos anos de cursinho. Nesta entrevista exclusiva ao JORNALZEN, Elaine conta um pouco de sua trajetória, marcada pela pobreza, humilhação e preconceito, mas principalmente pela superação.

JORNALZEN – Depois de tudo que a sra. passou, como se sente hoje, estando em evidência, sendo até entrevistada no programa de Jô Soares, na Rede Globo?
Elaine – Sinto-me muito feliz por estar podendo fazer do limão uma limonada. Minha história foi complicada, bastante difícil, mas tive a grande salvação da humanidade. Tive amor de pouquíssimas pessoas, que fizeram toda a diferença. Tive Deus e dois amigos. Por eles, não me matei e estou de pé. Se não tivesse sido amada pelo Dr. Jamiro [referindo-se ao médico Jamiro da Silva Wanderley] e pelo Dr. Fabrício [referindo-se ao médico Fabrício Caneppele], meu pai e meu irmão brancos, não teria agüentado tudo que agüentei. Hoje, eu prego contra o suicídio, a favor do amor, da amizade, sonho, luta, verdade, esperança. Prego a resistência, com, sem e apesar de tudo. Sempre existe o dia seguinte, mesmo que demore 13 anos, como foi no meu caso.

JORNALZEN – Em seu livro Pérola Negra – História de um Caminho, a sra. descreve todo o sofrimento com sua doença e a discriminação que sofreu por ser negra, pobre e aluna de medicina. Porém, também encontrou muitos que a ajudaram.
Elaine – Conto no livro de um senhor que me viu chorando quando eu não tinha dinheiro para comprar o remédio que a médica me receitou. Ele me deu 30 reais para que eu comprasse. Fiz questão de anotar o nome dele mesmo sem saber que um dia eu escreveria um livro. E coloquei o nome dele [Valter J. Bortolotto]. Assim como ele, que nunca mais vi, e com outros que tenho contato até hoje, a eles devo tudo. Os poucos que me amaram foram mais fortes que os muitos que não me amaram. Drummond fala que o amor vence o tédio, restaura a pobreza e instaura em nós a imperecível alegria. Eu sou uma mulher de frases, e essa é a frase da minha vida. O amor é a panacéia, a salvação para todos os males da humanidade. Tudo que há de ruim no mundo é a falta de amor. Tudo que há de bom é presença de amor. É o amor que salva as pessoas e é a falta dele que as mata as faz matarem as pessoas. Pensei em suicídio por três anos, por causa de uma dor de cabeça insuportável. Hoje, digo o seguinte: suicídio, a gente sempre deve deixar para amanhã, porque o amanhã nunca chega. No amanhã, as idéias suicidas perdem o sentido. Hoje, dou graças a Deus de estar aqui, pois posso ter algumas alegrias, posso fazer meu trabalho voluntário na favela. Escrevi um livro e, através dele, faço outras pessoas refletirem.

JORNALZEN – Qual o peso de ser mulher, negra, pobre e médica no Brasil?
Elaine – Sempre digo que sou “PPP” – preta, pobre e petulante. O fato de ser mulher pesa. O fato de ser pobre pesa mais. O fato de ser negra pesa ainda mais. E o fato de ter ficado louca, em função de uma lesão cerebral causada pela neurocisticercose que tive, pesa muito mais. Quanto a ter me formado médica, diria que a medicina é uma profissão de elite. Não é para negros nem para pobres, muito menos para ex-doentes mentais. Sou uma médica com “graves defeitos”: sou negra, pobre, ex-louca e honesta. Quando estava no cursinho, pedi a Deus que me ajudasse a entrar em medicina na Unicamp, onde só entra branco e rico, e prometi que atenderia as pessoas pobres. Ele estava de plantão no céu nesse dia, e também no dia em que fui parar na UTI, e disse: “Você vai passar poucas e boas, mas um dia vai cumprir a promessa que me fez”. E porque Deus queria uma médica na favela da Vila Brandina, onde faço meu trabalho voluntário há nove anos, é que estou viva ainda. É muito complicado quando se tem tantos estigmas a vencer. Não posso dizer que os venci. Eles existem, são muito fortes. Mas eu os transcendi. Para que a gente melhore nossa sociedade, é preciso que as pessoas tenham coragem de se pronunciar. Esses dias, li que o que mais preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons. Mais do que fazer a nossa parte, a gente tem que alardear o que é certo. Não dá só pra ser honesto e ficar quieto. A gente tem que cultivar e cultuar a bondade e o amor nesse planeta, porque o que a gente vê é o culto à mentira, ao roubo. Eu acredito, como dizia minha mãe, que a honestidade deve ser bandeira permanente, mesmo que para quem seja honesto seja mais difícil vencer, e é. Apesar disso, temos de nos apegar a essa bandeira. É por causa da falência da bandeira de paz que foi arrastado e morto um menininho de 6 anos. O importante não é ter. É ser. Por que tantas meninas têm morrido de anorexia? Por causa do culto à forma em detrimento da essência. Os valores estão invertidos. Precisamos nos unir para mudarmos isso. Essas bandeiras, que são tantas, transcendem os “PPP”. É por toda a humanidade.

JORNALZEN – Costuma-se acreditar e dizer que não existe racismo no Brasil. O que teria a nos dizer a respeito?
Elaine – Quem leu meu livro sabe o que é racismo no Brasil. Lá, vão encontrar vários exemplos. O racismo é enorme no Brasil, mas é mitigado. É disfarçado. Por isso, meu livro pretende ser iconoclasta. Quer derrubar ou no mínimo abalar o mito da democracia racial no Brasil. O racismo é muito grande, mas, como em toda sociedade hipócrita, é sutil. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde a coisa é escancarada, as pessoas se armam contra e, assim, podem se proteger tanto emocionalmente quanto legalmente. No Brasil é sutil, então há brancos e negros que o negam, a maioria por hipocrisia, alguns poucos por ignorância mesmo. O negro só descobre o tamanho do racismo quando se expõe. Minha mãe, por exemplo, nunca foi discriminada em seu trabalho de empregada doméstica, enquanto eu, como médica, sempre fui – sutilmente, claro. O negro serve para o trabalho físico, mas não para o intelectual. Para conseguir uma vaga num emprego, tem que ser melhor que um branco. Se for igual, a vaga será dele. Então, acho que a gente tem de saber que existe para poder lutar contra. O mal, a gente só combate quando sabe que ele existe. Estou fazendo a minha parte, denunciando em quaisquer níveis que me dêem voz.

JORNALZEN – Com tudo o que a sra. passou , o que a fez alcançar o seu sonho?
Elaine – Principalmente, a persistência. Há um provérbio chinês que diz o seguinte: “Um punhado de paciência é mais importante que um barril de talentos”. Pensei em desistir milhões de vezes, mas, como escrevo no meu livro, a palavra desistir não existe no meu dicionário de vida. E por não saber como se fazia para desistir, continuei. Foi por absoluta garra, empenho, apesar de todos os pesares, contra todas as expectativas de quase o mundo inteiro. Quase todos acharam que eu não iria conseguir. Primeiro, nunca iria entrar em medicina, muito menos numa universidade estadual. Pois eu entrei em duas: Unicamp e Unesp. Depois de já ter me formado em biologia. Então, no 5º ano, eu vou para a UTI e fico louca, e todos pensaram que nunca mais seria médica. Mas eu digo que nunca é tempo demais para quem tem Deus no céu e trabalho na terra. Não há lesão cerebral que segure. Se você tiver muita fé, muito trabalho e muita paciência, consegue chegar onde quiser.

JORNALZEN – Quais são os seus planos daqui para frente?
Elaine – Digo que meu primeiro livro quem escreveu foi Deus, porque foi a minha trajetória até aqui. A pérola é uma agressão que entrou na ostra e, para se defender, ela cobre com mantos de naca o que entrou, que pode ser, por exemplo, um pouco de areia. Aquilo vai se cristalizando e forma uma pérola. Existe um pensamento que diz que ostras que não foram agredidas não produzem pérolas. Por isso, Pérola Negra é um título perfeito para mim. Por sugestão de meu amigo Jamiro, quero escrever sobre uma utopia, onde não vou contar o que eu vi e, sim, o que não vi. Sobre como seria um mundo correto. Talvez o título será Pérola Negra Sonha um Novo Caminho.

JORNALZEN – Que mensagem deixaria para nossos leitores?
Elaine – Essa história de que mulher, negro e homossexual são inferiores é um estereótipo imbecil. Conheço pobres e ricos maravilhosos, pobres e ricos medíocres, analfabetos e doutores idem; brancos e negros idem. Os valores são morais. O que importa, o que realmente afeta o mundo é o coração e o cérebro das pessoas, e o que elas fazem regidas por eles com suas mãos.

Fonte: www.jornalzen.com.br

29 de jan de 2007

Dra. Elaine (Pérola Negra) na Rede TV!

Caros amigos,

a entrevista da Dra. Elaine com Luiz Gasparetto, da Rede TV, programa "Encontro Marcado", será exibida no dia 31/01 (quarta-feira) das 13h45m às 14h30m.

Foram tratados temas polêmicos como racismo, erro médico, saúde pública e a entrevista agradou ao público presente (q aplaudiu várias vezes) e ao pessoal da emissora.

Podendo, assistam, divulguem e comentem, aqui, no Multiply e no Orkut!

Atenciosamente,

Marina Viana

Assessora de Imprensa